Começo.

tinha poucos sonhos, poucos anos, quando comecei esta escrita... bem menos dos que tenho agora. bem pouco... mas agora, na idade de hoje, atual, que é só minha e é a que eu tenho, descobri com o meu corpo (carregando outro corpo), com a minha cor e o meu escopo, que a relação dos espaços com a [minha] carcaça é de abuso, é de rejeição... é por sobrevivência. e muita farsa. em nós, resistência. o que importa é que... sobre quem eu era, sou mais ainda. desde então, descobri mil sentidos e sigo envolvida com a questão do estorcismo. nunca tive dinheiro para produzir nada do que faço em poesia. mas, do que isso importa? a dificuldade é material, mas não me encerra. ela abre portas. ela abre muitas portas, nesse meu corpo fadado... que tinha poucos sonhos, poucos anos, mas hoje é. muita coisa. um borrão. mil sons. e mais nada.

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