Gravata de bravata.

Ontem caminhei caminhei caminhei... segui firme, andei mil rios... escalei um cem de montanhas, fugindo dos mares bravios... tudo tudo tudim eu fiz pra chegar no calor dos seus braços... pra alcançar seu afago... seus beijos, seus dedos e essa falta de norte que me invade e me distorce. Tudo desejo... E, como rabiscos dessa forma de saudade... Ontem fomos dois. Fomos juntos. Tão lindo. Os dois, juntos. E acompanhados. Nós em nós. O riso. O beijo. O abraço... tudo tudo tudim muito simples... e tudo tudo tudim muito junto e misturado.
Hoje. Pausa. Ânsia. Tremeliques espontâneos e desertos de escolhas. Somos - eu cá e você lá -, desesperadamente, enlouquecidamente... num lapso de razão e memória... somos apenas passado, passagem... Hoje somos apenas versinhos. Tímidos e cafonas. Uma gravata de bravata na calçada, depois do som aturdido de um pátio medieval de domingo e de feira... Somos pura desculpa. Exageros. Entidades. Fazer o quê se o ontem (folguedo) passou... lindo, soberbo, selvagem. E o hoje - assim, quieto, assim cinza, assim, chato e calmo - chegou aos meus ouvidos... E gritou: CALMA. Calma que ele chega... MENTIRA. Mentira que ele volta.
Amanhã, tenho certeza, será esse dia - assim triste, assim frio, assim longo e pequeno - dia de barulho, de escusa, de aula de métodos e nenhuma gasolina na estrada. Sendo, assim, esse dia, o amanhã que vem logo, um dia sem sabor e sem expectativas... um dia quase sem graça... quase sem tempo... sem tudo afinal. Apenas, mais um dia. Menos um dia. Gravata de bravata na calçada sozinha. Só vento, só tempo e um calor que me assola. Assim só. Sozinha. E mais nada.

(29/09/2013) (02/04/2014)

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