Mês de Maio.

quadro, recorte, acaso ou sorte... azedume. o tempo é quem anda e fala, como quem nunca se cala, contando as histórias de alguém pro povo do além. é que a nossa janela espia e vigia a dança das horas. aurora, montanha, vento. todo dia sem tormento, ela espia o vento pra vir contar o que andou vendo por lá. e até acho que sim, acho que a vida anda, e quem não anda com ela, anda em outras pegadas, em outras estradas. e carinho é bom mesmo quando agarra na gente, escorre feito rio, dando um amor que esquenta a alma, a vida, os suspiros e uns trens. quando não é amor, você sabe, não convém. acho até que fico sozinha e fico bem. pois passa chuva e madrugada. passa tudo e mais nada. e é quando vejo a calma, calada na estante do quarto, que sinto que nessa hora, vejo tudo, de antena ligada, e fiel na calçada. azul e rosa, igual umas gentes, esparramada. quando é assim, ninguém repica esse porém. a vida é mesmo um vintém de coisas, uma coisa, uma escama, vida é coisa de quem ama. e se não ama, não sofreu nem viveu por ninguém.