o homem, a ponte, o menino e a bicicleta.

Manoel de Barros poderia ter dito, do alto da sua varanda, que entre uma pedalada e outra, ia pela rua um menino. um menino que só sabia gostar de ser feito pedra que rola, roda que rodopia, ponteiro de dar corda ou qualquer coisa que pia... talvez dissesse que por lá ia um menino que gostava mesmo era de ser menino. e toda vez que o menino crescia, diria Manoel de Barros no alto da sua idade, que volta e meia ele parava pra ver se o tempo acudia aquela que era a sua espera. e mostrava pro tempo como era ser um ser que rola pela vida, que gira pelo mundo e que corre com o relógio, relógio que precisa que alguém dê corda... coisa de velho e menino, pensar que tudo isso poderia ser uma maneira boa de enganar os dias e crescer mais rápido pras horas. coisa assim, maluca mesmo, isso de iludir o tempo... poderia ter dito Manoel de Barros.

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