poema que cabe na ponta da língua.

é que hoje fiz um poema-de-bolso, que mal coube no suspiro desses ditos, quase indigestos, quase bonitos. ai, quanto gesto, pra fugir da sua língua. e nesses dias, qual uns dias daqueles meus dias mais honestos, faltou de resto um toque seu, pra um beijo  -  quase meu. é que deixei um poema atrás da porta, em cima da cama, ao lado da vida ... que importa. deixei sim, mais um poema, na medida certa pro espanto tomar conta. é que gosto de você e nem sei como eu digo isso. ai, meu deus, que aflito. e você,  sem imaginar nem perceber, que a vida que a gente olha é pelo buraco da fechadura. e o que digo nos meus olhos não tem gosto de nada, só de coisa triste, tipo poema que cabe na ponta da língua.