Cartão Postal.

... caminhando pela beira do lago, encontrei uma moça que falava sozinha. Ela ia e vinha numa estória sem letra, sem rumo nem corda... Ela ia num caminho sem tempo, nem volta. e contava pro vento, contava p`ras gotas, que a imagem é torta, que a beleza está morta e que o mar nem se nota das vidas alheias... Ela ia e vinha numa estória absorta... absurda. ia e vinha numa estrada repleta de estreitos, de colagens... repleta de besouros e bagagens... Era doida essa moça, que falava sozinha. que falava e falava... olha, é nas lembranças de uma história que a memória se acomoda... Ela dizia... dizendo tudo sozinha. é na revolta de uma vida que o tempo se desloca... comentava... sozinha e sozinha e sozinha. é no céu de brasília que me esqueço e que me encontro. caminhando... caminhando, sozinha. eu ouvi muitas notas, nesse dia, caminhando na beira do lago de brasília. e Ela nem notava, nem voltava... do mundo pra onde ela ia. pessoa distinta aquela... sozinha. e da sua pessoa, eu notei que ela nem notava, nem ouvia... os passos, as sombras, as vozes das pessoas do lago de brasília. ela nem notava, nem sabia... que quem dá voltas no Lago, sempre acaba sozinha... ela nem sabia. Sabiá. 


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