Brasília noturna.

Antonieta é uma moça sem destino e sem casaca. Nas noites sem lua, ela se deita. Nas noites vazias, ela se encolhe, insuspeita. Ela faz muito é drama, a Antonieta, em noites sem Lua e sem chama. Antonieta, coitada, é algo distante e caminha sozinha. Pobre e mesquinha. Tão sem dono, tão sem trauma, tão perfeita. Antonieta. Nunca não fala em mudar o país, em acabar com o racismo. Nunca não fala. Nunca. Antonieta até parece ser alguém de quem sempre se esquece... embora eu mesmo nunca que não esqueço dessa pessoa, dessa figura, tão diluída e tão nua. Tão à toa. Tão inerte. Antonieta, aurora, austera, ausente. Um drama sem fim, essa moça.

Mas, na Brasília noturna, na beira do lago ou de frente pra Catedral e pra Lua, Antonieta se purifica e umedece qualquer necessidade de cura. Antonieta reverbera e ecoa. Sonora, somente, solstício. É na praça do Museu, ovulando em precipícios, que Antonieta é... e mais nada.    

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