Onça de barba.

Uma vez, quando andava a estrada sem ritmo nem pressa, bem dispersa... topei com uma onça de barba... febril feito cabra, que não gostava de elos... que não gostava de nada. Só rosnava... poesias, lágrimas, saudades e estimas. Só rosnava, a pobre da onça de barba. 

Foi ela quem primeiro me cheirou a alma... foi ela quem primeiro me tocou os cabelos, os pelos... foi ela quem primeiro me sentiu, primeiro. Eu, cismada, nem olhava nos olhos, nem encarava, nem nada... a danada da onça de barba.

Mas, depois daquele gosto... no mês de agosto... depois daquela festa, depois daquela Sussa... depois de toda a cachaça... e dos banhos de rio e de estrada... depois dos ataques da besta... achei de gostar daquela onça de barba. Enfeiticei pela baba de onça de barba.

Hoje... depois daquele encontro... depois do feitiço e da caça... ando sonhando em poesia, ando rosnando de dia... desgraça! tudo culpa da danada da onça de barba. Que roubou meu cheiro, meu tempero e meu gosto... 

... desde aquele mês de agosto... quando virei febrina de onça-menina. Virei doninha sem calma, sem alma... selvagem. Cambaleando pelas ruas da cidade... 

E agora... sou só febre e saudade. Só vontade de chuva e de pasto e de rio... vontade de encontro e de cio... só vontade e saudade. Mais nada.

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