Arrisca-Verso.

Outro dia ele me disse: 

- Eu não sou ninguém aí... Ninguém mesmo. 
Acontece que ou eu 'Só estou' ou eu 'Estou só'.

Como tudo que ele me diz é poesia, 
eu ouvi, serena.  
Serena e atenta.
Ouvi, senti e ri.

Saudade dessa amizade,
desses dias,
tão profundos e poéticos, 
que só ele me dá. 
Dá-me só poesia. Dá.

Acontece que 'Só ele' ou 'Ele (sem) só'.
E as vezes ficamos mudos,
de tanto apego entalado.

E na saudade, 
se arrisca um verso, 
se discute a vida
se enxuga um pranto.

Só ele. Só saudade.
Riscando imagens.
E mais nada.