Cinzas.

Fumando o seu cigarro, parada na janela do apartamento.

Oito da manhã.
Ou. Meio dia.
18:10.
A vizinha reclama. - Não deixe cair o cigarro. Olha as cinzas...
                                 Vai queimar minha roupa!

Meio dia. Outro.
Dia. Almoço.
Trabalho.
Outra vez todo dia.

Um alguém lhe grita do carro. - Sai daqui, preta!
                                                   Vai-te embora, caralho!

Sempre. Tudo. Tanto.
Meio dia.
Mato um branco...
No meio do dia Santo.

                                                - Ai, quem me dera... Pensa ela.
                                                - Eles nos matam aos montes, todos os dias... Aqui... alhures... na Síria.
                                                - Mas, eu? Eu não posso. Eu... eu suspiro. E sobrevivo na militância indolente de quem não pode ter medo. Nunca. Casa, trabalho, família, sossego. Estudo. Nunca.

Recomeço.

Sigamos...

Ela. Fumando uns pensamentos, aparada no tempo...
Parada junto da janela da sua casa.

Ao lado dele. - Belo.
Kretcheu. Fumando o seu cigarro. Encostado na janela do apartamento.
Dois juntos. Olhando pro mundo...


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