Carta.

Querido Marido,
faz um ano que, no Rio das Almas,
as águas levaram Ramiro,
levaram sem pena, e sem dó...
Sem arrependimento para nada.
Levaram. Apenas.
E você... levado pela falta de um porquê...
Você nunca que não voltou mais daí,
desta selva...
Nem mandou mais notícias, Marido.
Nunca mais. Um horror.
E eu... aqui... distante.
Estou só, e parida.
Os meninos crescem longe de ti... Marido.
E a vida... A vida é difícil sem ti, Marido.
Difícil e rasteira, sem ti...
Volta para casa, Marido. 
Volta depressa... sem medo, e sem drama...
Volta... e manda dinheiro, Marido.
Manda dinheiro que, aqui, anda tudo pela hora da morte...
Pela hora da morte, sem ti... Marido.

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