Fronteiras Perdidas.

Poema Pequeno, de bolso e sem jeito.

Longe de casa, longe de tudo...
há mais de uma semana...
muitos dias...

e já vai ano...

Mil milhas e milhas... mil passos... saudades.
E uma grande fortuna...
Minha carcaça, minha pele, minha textura... de vida... meu mundo...
Lá... do outro lado desse rio tão largo e profundo.

Longe de casa, eu lembro de tudo...
eu lembro até mais...
vasculho as histórias.

E sobre ser...
Lá... e cá...
Sobre o ser e o envolta, o em torno...
sobre ter a consciência de ser uma vida negra...
sobre tudo isso... e as fronteiras perdidas...
é lindo! E é duro.
E é luta.

Sei bem como fica...
a porta fechada,
o cabelo frizado, questionado,
a beleza pisoteada...
a violência do Estado,
o abuso no corpo,
o corpo calado...
sei bem carregar essa estrada...
essa luz.
sei bem carregar essa verdade no peito,
e o respeito, de ser.
Negra.

Por isso e por mais...
por tudo e por nós...
há que se ter momentos de memória e festa...
E a consciência negra!

Há que se ter... um dia marcado, um mês marcado... marcos!
Há que se ter o incentivo e a glória,
e momentos de en-con-trar... de en-can-tar...

Por tudo e por nós.


Mesmo longe de casa... há que se ter, consciência.