Altar de quina.

Minha vó Zilda também tinha um altar,
como a vó dela...
Tinha altar, um portal e um cabideiro.

Na quina, à direita,
bem lá no alto,
do quarto de trás, aquele pros meninos dormirem depois do almoço,
de domingo.

[... suspiro.
Agora que a casa anda tão sem gente tanta,
todo dia, vazia.
É só domingo, dia santo ou feriado,
que a gente enche aquele telhado.

Isso, assim, sem jeito de arrumação e rotina,
hoje em dia...
Porque antes... antes era todo dia.
Muita gente, correria. Água escorrendo da escada, sabão de pedra...
e as pipas... e a amarelinha.
Mas hoje, muita gente é só domingo...
Dia de cozido, Silvio Santos e banho de bica.
... descanso.]

E lá naquele altar,
da quina do quarto da Zilda,
uma cachaça, tinha,
umas velas, tinha...
moeda, charuto e açúcar,
também tinha uma Nossa Senhora Preta.
Linda.
Eu bem me lembro que tinha.

Ave Maria, Dona Zilda.
Minha vózinha...
Que saudade, vó, que saudade que eu tinha...
até te encontrar nessa minha poesia.
Te contar uns desejos, te fazer uns carinhos... e mais nada.
Encontro de fim de tarde. Em nós. Com café e fatia de bolo.

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