O beijo.

O humano é uma invenção egoísta e traiçoeira. É mesmo o que eu acho... e em muito. Um ranço triste desta invenção tão bélica... né, mesmo? Eu falo do concerto desta obra... da ideia, sabe? Eu acho mesmo um desperdício essa humanidade tão restrita... só de um tipo. É porque eu acho que tudo que há em vida é belo e me encontra. Eu repito dos mais velhos que eu tenho tanto quanto a jaguatirica... Tenho mesmo. E que mania chata de divinizar apenas imagem e semelhança... Eu mesma não quero em guerra ou extorsão diária. Eu quero é ser o colorido arrepiante dos excessos da Guanabara... eu quero é verter feito jaca em rio e em mata. É que eu só sou feliz onde transpira o verde... porque é onde o mar alcança. Entende? Pra mim... humano é tudo que se move e se beija... besta. O ar que me beija [quando abro essa janela enorme do nono andar]... A formiga, que um dia beijou minha certeza, ascendeu no meu esconderijo e fez de mim um pouco abelha. Ou o sapo, que também beijou a Aurora num dia de festa. E você... Kretchéu... que me beija todo dia. Todo dia. Asé. E ai de mim se não beijasse... ai, ai... Eu ficaria pouco lunar e muito ausente. Sem beijo seu. Sem vento seu... Ai de mim, sem ti, carinho... sem ti,  presente. Ai de mim... Jeriquaquara. Ai de mim...