Por nada.

Às vezes me canso de tanto pranto...
Tanta raiva, tanto ranço... 
e um rancor que me impede, que não seca...
e que me empaca.

Por isso e por mais... por tudo e pra sempre...
Hoje eu quero, querendo apenas...
Apenas... Só...
Só flores. Somente.

Um botão por cada mágoa,
por cada estrada rompida ou perturbada.

Quero flores por aquele tapa na cara. Pelas mentiras contadas. Pelo telefone desligado na minha cara, pelo grito, o beliscão... por todas as formas de opressão... pelos xingamentos e flagelos. Por aquele arranhão... Pelo empurrão... pelas brigas com pai, amigo ou irmão... quero flores pelos beijos que eu não tive, pelos tocos que eu tomei. Pelas farpas... toneladas... todas elas. Quero flores por cada porrada. Por todas as mágoas. Quero muito... por cada...

Feito prata da casa.
Eu quero muitas... eu necessito!
E as quero... lindas, vermelhas,
e em cascata!

Quero a porra da flor,
pra me lembrar que sou linda,
pra me lembrar que estou viva... mas que muitas vezes não rolou nada.
Nem emprego, nem afeto, nem palavra. Nada.
Quero a porra das flores, por todas as vezes em que eu fiquei muito zangada,
na geladeira. Ferida de morte morrida... e matada.
Por todas elas, todas aquelas... por cada gota, chorada...
cada mágoa. 

Quero flores, porra. Quero muitas. Todas juntas...
Quero flores, por hora... só elas... por hora... só elas.
Depois? Todo dia... Eu. Quero. Tudo. Quero o Mundo.
... e mais nada.