Corpo isento.

[corpo isento em poesia grande]

eu te pedi uma conversa.
uma palavra. uns desejos.

te pedi um empréstimo,
uns conhecimentos,
um favor,
uns direitos. 

mas entrei sem pedir,
pra poder entender,
pra tentar descobrir. 
o que se sente e está ausente. 

já me contaram
que o que eu tenho mesmo
é uma vida sem jeito
pras coisas do amor.

e ai que triste é tudo isso...
porque tudo começou tão bonito.

ai que triste essa dor.
dor de quem tá sem jeito,
pras coisas da casa.

e que cafona esta ficando
essa minha poesia ligeira
de amizade e de dor.
poesia cafona de beira de estrada
[e de desejo e de espera e de atlântico]

feita como quem só tem dez anos...
dez vidas.
e não sabe nada.
num corpo isento.

mesmo que o tempo vá tatuando em mim,
em minha pele, em minhas rimas,
e aos poucos,
um bocado de assombro e de susto.

[eu não te conheço em nada na vida]

mesmo que a falta de um amor sincero
vá tatuando em mim
tudo o que eu vejo...

os rabiscos que eu vejo...
as ausências que eu vejo...
os arrependimentos.

mesmo que o tempo vá pregando em mim,
tudo que escorre pela calçada da rua lumumba.

mesmo que ele vá cravando em mim,
todas as suas feridas (todas)
todas as suas mentiras (tantas)
e todas as minhas ânsias... (loucas)

mesmo que ele vá tatuando em mim,
as suas displicências, suas ausências 
(de novo e de novo e mais vezes)...

Eu sinto muito, eu sinto mesmo...
Sinto todas as suas distrações,
todos os seus ressentimentos, 
tatuados em minha entranha.

- e eu nem sei porque você se juntou em mim se não me gosta.
se não me enxerga, se não me escuta...
se não me integra em sua vida e me acolhe e me brota.

Você, voCê, vOcê.

eu nem sei direito. nem sei de nada...
tenho apenas dez anos.
e muitas poesias sujas guardadas na gaveta.

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