Para Luzia.

nÊgA... (foi preciso) um dia, um jantar, uns amigos. Uma muamba, umas risadas. Foi preciso tudo isso para saber que aquele encontro bastava. E mais nada. Desde então, Nêga, tenho aprendido em cada uma de suas palavras, que é preciso muito afeto para não seguirmos afetadas. E como um mar de água atlântica, que se esbarra entre África, Américas e Europa [inventadas], a poesia foi-se escorrendo em nÓs, de nÓs, por nÓs... em cidade, em amor e etnografias auto-referendadas. Desde então, toda vez que eu te vejo, eu me vejo... no encontro dessas águas – rosas –, águas fluidas... águas emendadas! ... de um rio de almas... de quem (para quem) vive (sempre) apaixonada. Asé! Pela vida, pelas flores, pela poética das águas. Tenho fé e me emociono por cada uma das tuas palavras! E é bonito ver-te entregue e aberta a novas escritas desenhadas. Na emoção do afeto em riste, que salva a nossa estrada... tenho mesmo muita fé que essa fonte nunca seque e que nunca seque a vossa entoada. Falar de amor, em nÓs, é um ato revolucionário. E só o amor nos salva! Nesse vai e vem da luta diária, anti-racista, ferrada... te ler é jornada importante... erótica e suada! ... num caminho sem volta... entre a beleza das Yabás, os grãos de chuva chorada, as distâncias presentes e os encantamentos das ofertas aguardadas... Presente nos beijos, nas línguas, na fala... do encontro que só, somente soma, e jamais separa! Tua escrita em nós é oferta de mãos dadas... Em versos de um ballet linguistico desta Lisboa-africanizada... Palavras de um desmedido de tempo, para quem (não) sabe amar em nada... mas deseja, enseja... grita forte um mar de histórias... num vazio (in)concreto de dores abrandadas. Te ler é ir, de pouco em pouco, de gota em gota... numa vertigem condizente, achando caminho pelo vento... rastro na gente, no mundo... mesmo que este esteja confuso e sem causa. Tu és, em nós... entidade e poesia, como alguém a mim dizia. Violeta Serena é pura tempestade abrandada... é carinho em excesso e dureza acertada. Faço votos que os teus versos, nessas páginas viradas, virem do avesso cada macheza, cada indelicadeza e cada mágoa... de quem não escuta, só esbarra, acelera e baza. E ainda mais uns votos, de que eu nunca te perca da minha jornada. E um Viva! à poesia que há em ti... que há em nÓs... nos comendo por dentro, em dendê e kachupadas... porque os seus versos são (mais que) lindos... mais que lindos... e mais nada. Te encontrar nesta vida, minha amiga, foi presente da madrugada
Amadora, 31 de julho de 2017

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