Persépolis.

Minha mãe foi quem me levou ao cinema pela primeira vez. Era um filme infantil... sobre uns cinco ou seis bonecos de madeira, artesanais (e vivos) que, embriagados de saudade, deixavam de ser brinquedo, coisa, e passavam a ser gente, dessas que fala e anda e chora e ama... nunca vou esquecer, o sabor de não se ver, vendo a vida dos outros passar em uma tela bem grande... me senti gigante, com controle,  razão, medo, fé e poderes sobrenaturais, anormais... era como ir andando por entre os bosques, pescando e sentindo muita, mas muita saudade mesmo, num céu azul de paisagem, de borboletas e toda a mágica dos animais. Quando fui sozinha  pela primeira vez outra vez ao cinema,  nunca mais fui eu mesma, me perdi entre as esquinas de quem adora fazer da vida um pomar de poemas com flores de artes visuais. Daí percebi... que só depois do cinema é que pude ser eu mesma...

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