hortelã.

"A Síria encantou minha família, deixando ir pelo mar um mar de esposas, maridos mariposas e afins. Um bocado de menino, como os que vieram com o meu avô Zenun-menino ... A Síria sorria enquanto essa gente toda vinha. E foi nos séculos do passado que o caminho começado veio de chegar no cerrado, que hoje não chora nem sangra, só deságua em minhas ancas pra florescer noutros jardins. Chegou, naquela instância, uns enxerto de esperança, com muita gente e muita dança, todos com sabor de terra, amido e gergelim. E na bagagem ... carregada de tâmara, beringela, umas favas e tantas quantas pudessem umas pimentas ... na bagagem da viagem um deserto de saudade ... Sem contar a memória das casas encravadas nas pedras, que vão levando uma vida de quem nunca para de fazer venda, de trocar entulho e carregar poeira. A Síria encantou minha família. E nesse encanto, a Síria fez a minha família, com suas belas hierarquias práticas e iguarias ... onde menino aprende de dia e tia nunca tem uma vida sozinha. Nos enredos e tropeços, a Síria fez nosso meio, junto e começo. Fez dos primos e sobrinhos o primeiro arremesso, e assim todos foram aprendendo a andar juntos, sozinhos e curiosos ... Hoje vou comer um gosto de tudo que é de fato minha família na Síria. E dizer que gosto disso porque sou cereja em prosa, com desejos de muita gente e filho em volta da casa."



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