da arte de encostar.

"era um tal de reclamar da vida, que a vida, ela, passava pela janela da menina, e ela, a menina, aturdida, nem via que a vida ia... e vinha, num andar quase sem graça, num passar meio disperso. passava pra mostrar pr'aquela menina - carregada num tom muito sem jeito de moça - que a vida, ela, era bonita, era até bela. era inclusive colorida. cheia de calo... mas com muito arremedo pras coisas de espanto... é que, se ninguém dava carona, ou um "bom dia!", ela, a vida, ia andando mesmo, num mesmo sem jeito de passageira... assim, desse jeito: sem jeito. ela ia andando mesmo. passando mesmo... num viver de coisas pra outro jardim, pra outra insônia. pra outra estrada. vida e menina. curva e tempo. tudo banal, pra quem não encosta e deságua..." 




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