O conto da Primeira.

Eu publicaria um sem fim de histórias de amor, por você, pelas luzes do dia... mas, de repente, o que era amor vira caos e fantasia...vira poça rasa d'agente quase afundar... e eu já nem sei se o que era nosso, vale a pena, é coisa inteira... já nem sei se vale a pena apenas durar... sendo mais de sem mil dias ou um pulsar de alegria... soluços, suspiros... ai, ai, ai... que esse aperto é dor na certa, é confusão de quem, sem jeito, nunca carregou no peito... o respeito, coisa de quem nunca aprendeu a amar... porque nunca conseguiu escutar... que tristeza de filho que demora a nascer... é tristeza de gente, que sem casa e nem dono, aprendeu que o consolo é fugir do abandono... tentar escapar... e eu, que fico sem fala ou palavra, numa fossa desalmada... vou herdando essa matéria, coisa bruta da mais rude alquimia: mistura de covardia, poética, solidão e poesia... é que junto disso eu me protejo, mas não há como fazer a falta do beijo não me invadir em cem mil lágrimas, outras vidas e uns desejos... acho que aquele ensejo é coisa de ideia besta, coisa de matéria fina... num sem mil de dores e amores e horrores pra nunca mais aprender, nunca mais caminhar e só, a vida inteira, somente sendo a primeira a morrer de tanto amar...

Postagens mais visitadas