Encantamento de pouca água.

"se o encantamento do mundo saísse pela porta da frente, a certeza fugia sem conta. se afogava atrás da ponta, e desligava do mundo. a vida, vendo tudo, diria sem descanso, e de um jeito manso ... que amor é coisa rara, perseguição barata na ideia estranha de não estar sozinho ... - e diria que por isso teria fugido o coitado, assustado e sem carinho ... desencantado. na verdade, o encantamento do mundo, morrendo de vontade de tempo, quer mesmo é estar sempre contente, sempre poeta ... pra esquecer da frustração, pra esquecer que durou um dia ... mas, a esperança, que é outra e que é tanta, com calma, percebeu todo o trauma, e foi querer outra onda, foi querer voar alto, pra ficar sempre distante, sempre pensante, ambígua e alheia ... e tudo isso acontecendo num vazio sem fim ... num fim de arder os olhos, de assobiar a alma e calar as coisas.... a chuva, indo embora e olhando a cena sem poema, pensou: "que quero  mesmo é estar ... chegar ao fim do mundo sem qualquer medo profundo, sem ter pena de mim ..." e assim... cada um foi andando por si, de um jeito de estrada ... que passa por toda saudade, chega, estaciona e deságua."

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