Poesia de uma manhã de domingo.

    Vou contar o que se passa... depois que a gente voltou, a vida ficou sem graça... E cantar essa saudade, se já me custa a vaidade... é coisa de quem não esquece fácil: o prazer das suas falas, a sanfona que não cala e o acordo na linguagem de quatro mãos bem à vontade... faço votos que tudo o que cresceu naquelas terras, de vãos e de almas, possa me acompanhar muitas léguas, muitos poemas e... muita estrada.
    Eu me explico... é que nada cessa... só aumenta!!! E já não sei mais se sou eu quem invento,  ou se é a saudade... de verdade.... que atormenta!!! É a minha memória que está com cheiro de quilombo... meu corpo, meu gosto, meu tempo e as horas... até minha fantasia, que ficou lá naquele quilombo, ficou e não volta... perdida, e acampada, na poesia das rezadeiras, da cachaça, das arraias e das araras... 
    E foi neste vão de tempo, que eu vivi acompanhada... das letras que me queriam, da farinha que alimentava... do toque da terra e do suspiro das águas... Lá fiquei submersa no suor das suas palavras e descobri, feliz da vida, que eu gosto mesmo é de quando o olhar se encosta... 
    Exagero de menina - mas eu gosto mesmo do carinho que descobri no caminhar das mãos dadas... e, em verdade, verdade lhe digo... eu gosto do gosto da sua palavra!!!!  
    Agora, cercada por blocos que só concretam a minha alma, lembro do rio sem frio, do foguetório que avisava... e dos banhos que lavavam crianças, arroz, suor e outras náuseas...

Parece que tudo, até tu, ficou naquele cerrado... 

Mas, eu me explico... de novo!!! É que tudo que ficou pra traz daqueles montes, e que eu queria que estivesse agora comigo, me martelou hoje cedo... imagina, tudo aquilo: saudade, vontade, seca, míngua, mágoa, estrelas, carinho, futebol, viola, barraca, amor e cachaça... tudo amanheceu me dizendo:

- Esquece a saudade... e faz de mim poesia...


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