Moradora de estacionamento.


Eu sou urbana. Urbanóide. 
Sou concreto em poesia. Sol poente.
Mas me refugio onde a coruja dorme. 
Onde o tempo é devagar e os passarinhos fazem festa. 

Eu sou urbana. Brasileira. Feita de concreto e outras bossas.
Algo inconsequente. Inconsciente e inabitada. 
Mas adoro João de Barro. Adoro banho de rio e galinhada. 
Adoro namorar sentada na beira da estrada... adoro.

Eu sou urbana. Displicente. Sou carioca do cerrado. 
Chegada num aconchego derramado.
Num choro derramado. Num tudo de repente.
Mas adoro seu cheiro, adoro.
E tudo aquilo inventado nas noites de sábado.
Quando era tempo de inverno e chovia no telhado.

Eu sou urbana. Maloqueira.
Sorrateira mesmo. Moradora de estacionamento e outras fossas.
Mas, gosto muito de você. Gosto muito do seu jeito.
Adoro mesmo. Pra dizer a verdade, adoro um tanto. 
Eu. Você. Vão. Céu cravejado de estrelas.
Canção de chuvaria. Kalungaria. 
Bocejos. Muitos beijos. E mais nada.

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