Camuflagem.

Como saudade, me camuflo na paisagem de quem nunca foi criança, de quem nunca esteve à beira da morte ou sufocada de medo... Eu me camuflo do sossego que não acho... E dos desejos mais desesperados... Que insistem e me esbarram. É que nesses dias de sol a pino, me camuflo na paisagem do destino... E vou só, vagando, vagarosamente, vagando... Cambaleando pelos encontros da vida, pelos amores proibidos e pela brisa do Cerrado, que invade a minha janela, enquanto escrevo este delírio... Solitária, solvente... Encantada com as ausências e as tramas. Hoje amanheci camuflada no tempo da ausência da palavra... Solta, na intensa vertigem de quem espera... Um novo poema, uma nova saudade... Camuflada, brevidade... E mais nada. 

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