Banho d´águas.

No Candomblé, o povo de santo sabe que é preciso sacudir a vida, sacudir as coisas, para se livrar de energias perdidas. Luzia estava triste, e precisava tomar um banho de ramos e zelo, um sacudimento de folhas de quintal de terreiro. (mas) Luzia não está na Bahia. Luzia está em Lisboa. Onde, durante a primavera, entre os jardins e caminhos e terreiros e hortas, só se encontram rosas. Flores brancas. Corpo negro. Bailando na banheira do apartamento de Luzia. Este é o registro de um banho que começa antes do banho, antes das rosas, antes de tudo. Até de Luzia. E termina na vontade de um momento de atenção e de amor contínuo. Banho de mar noutro rio. Encarnação. Calmaria. Bailando na banheira do apartamento de Luzia.

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